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Paulo Vereda


Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
É que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar
Não vou me adaptar!
Me adaptar!



Escrito por paulovereda às 11h22
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O executivo nú no meio da metrópole.

Encontraram um barquinho de papel numa cachoeira fria, desfizeram a dobradura, era a foto sépia de um pierrô esboçando um meio sorriso. O sorriso não estava completo e nem a foto estava completa. Não se sabe se ele estava meio contente, ou se aquele meio sorriso era pra esconder uma tristeza inteira, assim como não se sabe se aquele traje de palhaço estava completo, ou se posava nu para o retrato que ele mesmo fez,  esticando o braço e conferindo o resultado no visor da digital.

 Aprovou, dobrou, colocou na água e nunca mais ninguém o viu... Aquele menino que gostava de coisas simples e aparecia pelado nas cachoeiras, ou as vezes fantasiado brincando de ser outra pessoa. Dizem que já o reconheceram na capital fantasiado de terno e gravata cisudo e com olhar perdido.

 O paletó é a fantasia do menino grande que finge não estar pelado por baixo do terno, finge nao ter saudades de nadar na cachoeira, e finge não estar arrependido por não ter feito realmente tudo o que lhe dava na telha.

 

 

 



Escrito por paulovereda às 17h48
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